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quinta-feira, 7 de março de 2019

O papel da didática como elemento formacional crítico do aluno do Ensino Médio.


O papel da didática como elemento formacional crítico do aluno do Ensino Médio.
Jonas Dias de Souza

            Outrora a capacidade de um professor ministrar suas aulas era medida pela expressão “cuspe e giz”. Lembro-me de uma dupla de professores, (na década de 80), gêmeos, que davam aula de física e química, utilizando estes recursos. Não usavam livros, e em uma época que não havia acessibilidade a recursos tecnológicos, conseguiam manter a atenção de classes consideradas difíceis.
Nesta era moderna em que os meios tecnológicos são abundantes, pois, temos aplicativos, sites e a enciclopédia barsa se transformou em peça de museu, (e quem tinha uma barsa em casa era um felizardo), o professor deve investigar sempre e sempre meios que lhe alicercem as aulas.
Obviamente, nem toda aula cheia de parafernália eletrônica é uma aula boa.  Cabe ao professor procurar descobrir quais os anseios de seus alunos e assim preencher a lacuna existencial com seus conteúdos programáticos. O professor navega em mares sempre desconhecidos e vai traçando a sua rota. O paradoxo disto tudo é que estas rotas não podem ser compartilhadas. Lecionar é aquele momento em que lutamos de forma solitária as nossas batalhas e terminadas as aulas, nos preparamos para novamente lutar.  O professor iniciante não deve desanimar diante deste parágrafo, nem toda luta significa, dor. Lecionar é o tipo de luta que nos deixa mais forte, a cada momento.
            Neste contexto é que nos debruçamos sobre o ensaio do Professor Ronai Pires da Rocha, “ A didática na disciplina de filosofia”. Como a didática pode formar cidadãos críticos? Desafio proposto na disciplina “Didática no Ensino de Filosofia”, do Curso de Especialização em Ensino de Filosofia no Ensino Médio pela UFSJ.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Como o ensino da Estética pode contribuir para a formação de cidadãos críticos?



Como o ensino da Estética pode contribuir para a formação de cidadãos críticos?

Jonas Dias de Souza[1]

A história recente da arte no Brasil vivenciou um momento de guerra.  Não se trata de uma guerra em sentido figurado, mas guerra de acusações na mídia, redes sociais e aparelho judicial. Refiro-me aos episódios envolvendo exposição de nudez e uma arte de cunho erótico, que foi combatida por uma parte da sociedade e defendida por outra, o que literalmente dividiu e opôs pensamentos conflitantes. Não me lembro de ter lido algo que se mantivesse neutro e fundado em pensamentos sólidos. O que me lembro de ter lido foi defesas apaixonadas e ataques apaixonados, raiva existiu dos dois lados.
            O choque provocado por obras artísticas não é algo novo na história da humanidade.  No século XIX, o pintor Gustave Courbet (1819-1877), chocou a sociedade com um quadro denominado “A origem do mundo”. Num protesto em que questionava as regras que diziam que a nudez era permitida somente em contextos religiosos ou mitológicos, ele mostrou sua visão de origem do mundo com uma genitália feminina “nua e crua”, ao natural. O choque não é produzido somente pelas obras que retratam a sexualidade (embora sejam a maioria), o Espanhol Francisco de Goya (1746-1828), chocou os espectadores quando retratou Chronos devorando um de seus rebentos que teve com Gea. Temendo um possível destronamento, a cada filho que nascia, o deus devorava. A curiosidade é que  a pintura foi passada para a tela por Salvador Martinez (1845-1914), o desenho de origem decorava a parede da casa de Goya.
Talvez a obra mais conhecida seja “Guernica” de Pablo Ruiz Picasso (1881-1973), que retrata (segundo a tradição) o desespero dos moradores da cidade de mesmo nome, ao ser bombardeada.  Numa época em que não eram comuns os filmes de guerra, a pintura mostrou corpos destroçados. É de se imaginar o que a obra causou na mente dos espectadores. Para o pintor, a obra não era algo para decorar uma parede, mas uma “arma de ataque e defesa contra os inimigos”.





                                                                                                      Gravura 1

            O que devemos nos perguntar é, em que estas obras de arte contribuíram para o desenvolvimento de um senso crítico nos cidadãos que as contemplaram? Pode a estética contribuir para a formação do cidadão crítico?

domingo, 6 de janeiro de 2019

Tradição versus Modernidade revolucionária à luz Kantiana do uso da razão: Como se posicionar em face da briga por causa da polêmica fala “Meninas vestem rosa, meninos vestem azul”.







Tradição versus Modernidade revolucionária à luz Kantiana do uso da razão: Como se posicionar em face  da briga por causa da polêmica fala “Meninas vestem rosa, meninos vestem azul”.
                                                                                                                                Jonas Dias de Souza

O Brasil está diante de uma nova discussão, desta feita sobre a cor das vestimentas pueris. Nada que impeça o funcionamento da máquina governamental, mas, mostra o cuidado que o administrador público deve ter ao abrir a boca.  Considerada a relação entre celulares e números de habitantes neste país de dimensões continentais, estamos literalmente diante da comunicação de massa de forma ininterrupta. Basta uma escorregada no pronunciamento e viramos a “bola da vez”.
A motivação da escrita deste artigo, contudo, longe de tomar partido sobre a preferência de vestimentas infantis, é relembrar que, enquanto representantes ou quando assumimos um cargo de direção pública, devemos saber que há uma diferença entre o uso da razão. Não podemos expressar as nossas ideias, sem saber que nos tornaremos a “vidraça da vez”. Ou seja, não devemos nos esconder atrás de desculpas esfarrapadas para a nossa expressão de pensamento. É mais digno assumir a fala do que ficar procurando subterfúgios para dizer que não quis dizer o que disse.
O brasileiro comum deve se lembrar de que qualquer que seja a cor do governo haverá uma tentativa de manipulação da vontade popular, nos níveis educacionais, econômicos e sociais.  Seja o governo de esquerda ou de direita, a expressão de opiniões pessoais fará parte e provocará dissidências.  Cabe a cada um (do povo) pensar de forma independente, o que não significa concordar por concordar e discordar por discordar, mas um desapaixonar político. Seria então possível um tempo de esclarecimento?

sábado, 22 de dezembro de 2018

“Autopsicografia” de Fernando Pessoa: O poder da sedução e da ilusão implícitos no processo de criação artística em Platão e Aristóteles.





 “Autopsicografia” de Fernando Pessoa: O poder da sedução e da ilusão implícitos no processo de criação artística em Platão e Aristóteles.
Jonas Dias de Souza[1]
Introdução.   
            O desafio que nos foi apresentado na disciplina Estética e Filosofia da Arte e seu Ensino, foi o de discorrer sobre o poder da ilusão e da sedução, implícitos no processo de criação artística sob a ótica platônica e aristotélica contida na obra “Autopsicografia” de Fernando Pessoa. Quando digo desafio, o faço pensando em meus limites no que tange esta parte dos estudos filosóficos.  Sempre fui um crítico severo de meus poemas, a ponto de trancafiá-los em alguma gaveta. Páginas amareladas pela inevitabilidade do tempo que volta e meia sobrevivem ao esvaziar das gavetas, inexorabilidade da vida que passa e nos lembra de coisas, momentos e pessoas, e garrafas de vinho, que  existem e insistem em ocupar seu lugar na memória.
“Autopsicografia” é aquele poema que são raros e quando ouvimos  é como se fosse sempre a primeira vez, pois ele nos remete a uma emoção pueril, juvenil e febril de amores que não merecemos ou que não nos julgaram merecedores de suspiros escondidos.
Autopsicografia: O poeta é um fingidor./Finge tão completamente/Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente./E os que lêem o que escreve,/Na dor lida sentem bem,/Não as duas que ele teve,/Mas só a que eles não têm./E assim nas calhas de roda/Gira, a entreter a razão,/Esse comboio de corda/Que se chama coração. (Fernando Pessoa)
            Tradicionalmente, temos que o poema foi escrito em 1º de Abril de 1931, (Culturalmente o dia da mentira). Mais de ano se passaria até ser publicado no número 36 da revista Presença, de Coimbra. Pessoa é considerado um dos maiores escritores do vernáculo.
Brevíssima Biografia:
            Fernando Antônio Nogueira Pessoa,  presenteou o mundo com seu nascimento no dia 13 de junho de 1888, na cidade de Lisboa em Portugal.  Filho de Joaquim de Seabra Pessoa (que faleceu quando o poeta tinha cinco anos) e de Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa.  Um lisboeta e Açoriana. Em segunda núpcias, sua mãe acompanhou o marido João Miguel Rosa (padrasto) para Durban, na África do Sul. A função militar do padrasto do poeta, e a nomeação de Cônsul de Portugal, fez com que o escritor fosse ducado em um Colégio de Freiras (de educação inglesa), a Durban High School.
            Em 1903, retorna para a África (aos 15 anos), matriculando-se na Universidade de Captown. Permanece por três anos e retorna para Lisboa em 1915, estudando Filosofia, abandonando a Faculdade de Letras em 1907.  Por cerca de seis anos (1902-1908) suas produções são na língua Inglesa. A língua Portuguesa veria a escrita de Pessoa , somente quando o Poeta completasse 20 anos.  Escreveu sob heterônimos: Alberto Caieiro, Ricardo Reis, Bernardo Soares, Álvaro de Campos. E cada uma com uma faceta de personalidade, com mundos próprios. Seria uma espécie de fuga de sua própria existência?

Fernando Pessoa sendo ele mesmo:
            Quando procuramos o significado de Psicografia, aprendemos que, o vocábulo remete à “descrição psicológica de uma pessoa”.  Sabemos que Auto é um prefixo de origem grega, significando algo que funciona por si mesmo. Autopsicografia pode ser entendido como o ser escrevendo sobre si mesmo, ou o sujeito escrevendo sobre si mesmo.  Podemos concluir que é o próprio Fernando Pessoa que nos fala de si mesmo. Já não há lugar para a voz de outros personagens (heterônimos), é preciso falar de uma dor que incomoda o “ser-em-si”.  
            No que pese a proposta haver sido lançada para uma análise á luz de Platão e Aristóteles, julgamos por bem, dizer que quando nos referimos ao “ser-em-si” referenciamos Jean Paul Sartre, para quem a realidade humana é um fazer-se constantemente.
Para a realidade humana, ser é escolher-se: nada lhe vem de fora, nem tampouco de dentro, que possa receber ou aceitar. Está inteiramente abandonada, sem auxílio de nenhuma espécie, à insustentável necessidade de se fazer ser até ao mais ínfimo pormenor. Assim, a liberdade não é um ser: é o ser do homem, quer dizer, o seu nada de ser. (…) O homem não pode ser ora livre, ora escravo; ele é inteiramente e sempre livre, ou não é. (Sartre, J.-P., O Ser e o Nada)           
            Quando olhamos Autopsicografia com as luzes da ótica de Sartre, percebemos que a dor é objetivada para que o outro (nós leitores) possa perceber e apreender a dor do poeta.  A poesia surge nesta ótica de auto-exposição do íntimo do escritor, daquilo que a literatura denomina de “eu-poético”. A exposição dos sentimentos provoca no outro (leitor) o conhecimento daquilo que sufoca o poeta.  A explosão das letras é a libertação dos sentimentos.
            Reconhecemos na Autopsicografia o Dasein. Este “poder-ser” que Heidegger fala como sendo de caráter estrutural de ser-no-mundo, ser-com-os-outros e ser-para-a-morte. Um leitor menos desavisado, poderia dizer que estamos “viajando”. Mas lembremos que a dor é tão intensa e real, que o poeta finge que a dor não existe. Como um fingidor de dor verdadeira, instala-se no poeta um combate entre coração e razão.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

A Teoria do Conhecimento no pensamento Kantiano: O meio termo entre Racionalismo e Empirismo.











A Teoria do Conhecimento no pensamento Kantiano: O meio termo entre Racionalismo e Empirismo.
Jonas Dias de Souza[1]

INTRODUÇÃO.
            O conceito do Filósofo como amigo da sabedoria já foi estendido para além da generalização etimológica de “philos” e “sophos”. Sabemos que a tradução de filosofia como “amor ao saber”, ou ao conhecimento, já não atende de forma satisfatória a necessidade de traduzirmos o significado de filosofia, e, por conseguinte, de filósofo. Num tempo em que o vocábulo é aplicado para todas as instâncias da vida em que se exija um posicionamento subjetivo a respeito de algum tema da vida cotidiana, precisamos debruçar sobre o que de fato é a filosofia. Levamos em conta o fato de que ao longo da história da filosofia, é tarefa de Hércules chegar a um denominador comum, sobre o significado.  O caminho que se mostra plausível seria uma comparação entre as definições propostas pelos filósofos ao longo dos séculos, mas sabemos que a vasta divergência de pensamentos, nos leva a delimitar um tema.
E assim procedendo, vamos também neste assunto, delimitar nossa análise, procurando perceber a síntese que Immanuel Kant (1724-1804) propôs entre O Racionalismo e o Empirismo, com seu Idealismo Transcendental.
A respeito do pensador, temos uma bibliografia que diferentemente de outros, não possui em suas linhas, fatos que mereçam destaque, pelo contrário, o que tradicionalmente lemos é que sua vida era metódica, a ponto dos moradores de sua cidade acertar seus relógios pelo passeio que fazia diariamente. O mesmo não pode ser dito de suas obras, Kant ergueu na filosofia um edifício que se destaca e confronta aqueles que ousam se aventurar por suas linhas. Existe até um ditado nos meio filosófico que diz “a favor de Kant ou contra Kant, mas nunca sem Kant.” A disciplina Teoria do Conhecimento não deve (embora possa) ser estudada sem passar pelas páginas Kantianas. Estudar a Teoria do Conhecimento sem se debruçar sobre o que disse Kant é manquejar pelas letras filosóficas, é limitar-se na profundidade da superfície.  Na filosofia Kantiana percebemos a assunção de uma crítica em relação ao conhecimento científico. Crítica, neste contexto, enquanto Teoria do Conhecimento. Uma reflexão crítica que se dirige para a pessoa culta, não que uma pessoa culta, possua maior valor, mas no sentido de que um esforço árduo é requerido no sentido de entendimento da escrita do pensador Prussiano. Não diria que é hermética a sua escrita e nem tampouco objetiva-se desvalorizar outros pensadores, mas sim esclarecer, que considerando a necessidade de ler e reler Kant, não espere o leitor encontrar nesta simples leitura, nada mais que um norte para guiá-lo, e levá-lo a descobrir trechos do pensador que se relacionam com a teoria do Conhecimento.  Digamos então, que a filosofia é uma visão racional do mundo e que a Teoria do Conhecimento é uma disciplina filosófica que busca o pensamento verdadeiro.
Enquanto a lógica investiga os princípios formais do conhecimento, as formas e leis gerais do pensamento humano, a teoria do conhecimento dirige-se aos pressupostos materiais mais gerais do conhecimento científico. Enquanto a primeira prescinde da referência do pensamento puramente em si. A segunda tem os olhos fixos justamente na referência objetiva do pensamento, na sua relação com os objetos. (Hessen, 2000, p13)
Ainda de acordo com Johannes Hessen (1889-1971), se a lógica é a teoria do pensamento correto, a Teoria do Conhecimento, pode ser definida como a Teoria do Pensamento verdadeiro. Para o pensamento ocidental, Kant, é neste assunto um dos pais fundadores da Teoria do Conhecimento, ao tentar propiciar um alicerce crítico ao conhecimento das ciências naturais com sua Crítica da Razão Pura de 1781 onde encontramos a gênese do Transcendentalismo.

DESENVOLVIMENTO.