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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Reflexões.




Reflexões.
Jonas Dias[1]

Ao estudarmos Filosofia, deparamos com a Gnosiologia ou Teoria do Conhecimento. Esta disciplina procura conhecer e compreender quais sãos os elementos e as condições do conhecimento. Entre os estudiosos e fundadores, consideram John Locke com seu ENSAIO SOBRE O ENTENDIMENTO HUMANO  e Immanuel Kant, com a CRÍTICA DA RAZÃO PURA.
Para o leitor comum, pode parecer um assunto trivial e despido da importância que merece. Há quem atribua tal situação a dificuldade que o brasileiro tem para leitura. Ultrapassando a esfera da filosofia e despencando no lado místico, temos o conhecimento como assimilação de uma informação. Tanto intelectual, quanto emocional. Aplicar este conhecimento com discernimento é
ser sábio.
A questão que nasce é: O homem está preparado para isto? Para aplicar seu conhecimento em prol do outro. Discussões como esta nos joga no terreno da ética. E será possível trabalharmos o lado místico do ser humano? Existem pontos de vista que defende a co-existência entre Filosofia e Misticismo. Outros pensam ser incompatíveis.
É possível encontrar razão nos dois argumentos. A filosofia sem preocupação e compromisso é vã. O misticismo fanático é perigoso. Interessante que nos primórdios do filosofar humano, tivemos estes dois saberes caminhando lado a lado.
Quanto ao conceito de analfabetismo, na Era Moderna, temos um novo conceito. O analfabeto moderno, é aquele que não quer ver cada aprendizado como uma nova descoberta e ainda, que não consegue colocar de lado (mesmo que temporariamente) as opiniões pré-existentes. Aprender a conviver com os múltiplos aspectos da vida, é primordial para uma vida com qualidade.
O respeito ao outro, por exemplo. O respeito às opiniões que divergem das nossas. Ás ideias. A prática da tolerância. A mesma coisa pode ser dita de várias maneiras.
Vejamos o respeito humano:
Immanuel Kant expressa de forma racional: “Age de tal maneira que a tua ação possa ser convertida em norma universal de conduta.”
Jesus Cristo expressa de forma mística: “Amar ao próximo como a ti mesmo”.
Uma de várias conclusões é que, somente tratando o outro como homem, é que estamos construindo a nossa felicidade. O pensamento Kantiano, vai além, nem isto pode ser o pano de fundo de nossas ações. O homem jamais pode ser um meio. Se considerarmos que podemos fazer de nossa existência um inferno, depende de nós, aceitar ou não, este poder fazer.
Se consideramos que podemos fazer de nossas vidas um inferno existencial, podemos obviamente fazer o contrário. Vale refletir sobre um trecho do Livro CIDADES INVISÍVEIS  de Ítalo Calvino:
“O inferno dos vivos não é algo que vai existir: Se existe, já está aqui, o inferno de nossa vida cotidiana, formado pelo fato de vivermos juntos. Há duas formas de suportá-lo. A primeira é a que muitos acham fácil: Aceitar o inferno e tornar-se parte dele, até não o ver mais. A segunda é arriscada e exige constante aprendizado: No meio do inferno procurar saber e reconhecer o que não é inferno, fazê-lo durar, dar lhe espaço.”
Vamos pensar? O que queremos para a nossa vida? O inferno cotidiano ou o paraíso? Muito embora estas visões sejam exclusivas e particulares. O que é um inferno para um, pode ser o céu para o outro. Por isto deve imperar o respeito pelo direito do outro. Não podemos obrigar o outro a viver no nosso céu-inferno particular. Ao aceitarmos que o conhecimento é uma atividade do homem. Aceitamos que em todo homem tem um germe de filosofia e também um de misticismo. O que devemos fazer é deixá-los progredir. Por parte da filosofia, procurando uma vivência ética, e misticamente, realizando o imperativo do amor ao próximo. É preciso nos colocar no caminho o mais rápido possível. Sairmos do  caminho puramente humano e retornar ao caminho divino. Esta deve ser a outra face do conhecimento.
Mas isto é outro assunto...





[1] Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de São João Del-Rei-UFSJ.

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