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quarta-feira, 16 de maio de 2018

Brevíssima reflexão sobre EAD


Brevíssima reflexão sobre EAD


[1]Jonas Dias de Souza

Autonomia: Na filosofia temos este termo introduzido por Kant com a finalidade de designar a "independência da vontade" em conexão a desejo (qualquer desejo) ou seu objeto, em conformidade com a razão. Contrapõe-se à heteronomia . "A lei moral não exprime nada mais do que a autonomia da razão pura prática, isto é, da liberdade" (Kant, Crítica da Razão Prática). Em se tratando da questão da EAD (Educação a Distância) a autonomia é uma qualidade que deve ser inerente ao aluno enquanto sujeito construtor de seu conhecimento. Por autonomia devemos entender que o aluno de EAD é gerente de seus estudos e dele dependem a qualidade do aprendizado. Para Aurélio, autonomia é a capacidade do homem em governar-se a si mesmo e por si mesmo. Ainda em EAD o aluno enquanto sujeito, deve governar seu aprendizado de forma autônoma e com liberdade. Esta liberdade advinda da autonomia joga em seus ombros a responsabilidade de gerenciar seus estudos de forma qualitativa e quantitativa e por consequência gera reflexos na própria EAD. 








Valle & EStrella discutem o crescimento da EAD no Brasil, quebrando a assertiva que  atribui o sucesso da modalidade ao desenvolvimento tecnológico (da informática) no país. As autoras defendem que para além do desenvolvimento da informática está a receptividade e os incentivos que fruíram das autoridades públicas brasileiras e de instituições privadas. Esta soma de interesses, que as autoras denominam de “disposições positivas”, já era recorrente em outros países desde o segundo lustro da década de 90.  A EAD sofreu uma transformação ao longo das décadas no que respeita ao seu público, nos anos 70 e 80 visava atender alunos que não haviam completado o segundo grau, na década de 90 visa o terceiro grau.   Contudo, há que pautar a discussão na necessidade do avanço da inclusão digital.
“Particularmente no caso do Brasil, se é inconteste que é preciso avançar na inclusão digital, não é menos verdadeiro que a apropriação das tecnologias de informação e comunicação (TIC) para fins de educação implica um espectro bastante específico de exigências que nem de longe se resumem ao simples treinamento para a mera manipulação de uma plataforma.”[2]


Vejo a resistência para com a EAD, ligada à dificuldade de interação com plataformas digitais. Não vejo a questão da "transmissão vertical" como o cerne do problema. A conquista de uma EAD com qualidade é centrada no aluno. Escolhi falar sobre a palavra "Autonomia" justamente porque acredito que esta qualidade deve ser primordial para o cidadão que resolve fazer um estudo a distância. A transmissão vertical não encontrará eco nesta modalidade de estudo. O aluno que se limitar a seguir o professor conteúdista ou o tutor, e não se lançar em novas pesquisas, este sim estará perpetuando a questão da transmissão vertical. A aula desgastante está ligada aos interesses do aluno e à capacidade do professor. E isto é uma questão de didática e não aos paradigmas pedagógicos. Se enveredarmos por este caminho, ou seja, o de compararmos as aulas presenciais com as aulas EAD, nós perderemos o foco de uma busca de qualidade para a EAD. Não há nada que se compare ao calor humano. Em termos de calor humano é preferível uma aula chata do que a tela fria de um computador. Por outro lado, sou levado a concordar que esta migração desprovida de uma autocrítica é danosa. Sou levado a me questionar sobre o que seria os "processos humanos de aprendizagem complexo"? Na sala de aula raramente há uma oportunidade de rever seus conceitos (digo de imediato). Quantas vezes eu escrevi este texto? Quantas palavras foram trocadas para não melindrar? Este escreve e conserta (ou deleta pra utilizar uma linguagem própria de computação) é mesmo que forma inconsciente uma auto crítica. A oportunidade singular da EAD reside no fato de que mesmo tendo uma "aula ruím", o aluno pode ser caso assim o deseje, sujeito de seu conhecimento. Neste caso a maturidade e a disciplina darão conta, porque iremos sempre buscar um conteúdo que segundo os nossos juízos de valores sejam melhores. "Não basta mudar o ambiente, é necessário mudar a pedagogia" é uma frase corajosa. Leva a uma reflexão sobre os valores que carregamos e quais devemos abrir mão para uma EAD de qualidade.



[1] Graduado em Filosofia pela UFSJ.
[2]  Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v14n42/v14n42a11.pdf acesso em 22/03/2018


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