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sexta-feira, 25 de maio de 2018

É Possível uma filosofia cristã? O que é ser evangélico? (Breve apologética cristã)


É Possível uma filosofia cristã? O que é ser evangélico? (Breve apologética cristã)         
 Jonas Dias de Souza[1]
         
          Há quem diga que a filosofia é independente das crenças. E há quem diga que a filosofia é indissociável do cristianismo. Cristo já foi chamado de “sofista crucificado”, de “mestre maior”. Mas, no cristianismo Ele (Cristo) é o redentor, o salvador. A pergunta que se coloca a nossa frente é “É possível a filosofia andar junto com o Cristianismo?”.   A formação do Padre Católico exige para além da vocação, a formação em teologia e filosofia. Diferente da ordenação de pastores que leva em conta a vocação e não exige a formação acadêmica. Embora, algumas denominações mais tradicionais não ordenam sem uma formação acadêmico-teológica.
          A Filosofia tem por tradição trabalhar com os espinhos. Não há reflexão que não provoque um sangramento na alma. Seja na nossa ou na do outro. Não há consenso em termos de reflexão. Não encontrei até hoje dentro da filosofia dois ou mais pensadores que concordassem em torno de qualquer tema. Por isto é possível falar em sangramento. Quando discordamos provocamos um corte em nós e no nosso interlocutor. O grande problema é como será suportado este corte.
          Assim é quando resolvemos discutir o problema da Filosofia dentro da Teologia Cristã. Qual das duas será a melhor? Qual delas será a mais apropriada para conversarmos? Será que é possível de fato uma separação entre Filosofia e Teologia?
          Quando estamos dentro de reflexões teológicas estamos dissociados das reflexões filosóficas?
          É neste sentido que nos propomos a refletir sobre a questão: É possível uma Filosofia Cristã?
          Quem estudou um pouco que seja de filosofia, deparou com o MITO DA CAVERNA de Platão. Assim ocorre com o Cristianismo. Não com as religiões. Mas com o Cristianismo. Quando nos tornamos Cristãos, desejamos ardentemente libertar os prisioneiros da caverna e direcioná-los para a luz brilhante. É neste ponto que como filósofo temos que questionar: É possível hoje um Cristianismo autêntico. Nestes milhares de anos que separa a humanidade dos ensinamentos primordiais de Cristo, o que foi implantado pela cultura que apagou o cerne do cristianismo? Em termos filosóficos podemos dizer que não temos certeza do quanto de cultura está impregnada os ensinamentos. Mas recorremos a Fé para afirmar que a Palavra de Deus é imutável, e que ao longo deste milênio ela permanece mostrando o verdadeiro caminho para o Cristão que de fato se coloca sob  a tutela do Espírito Santo.
          Vamos seguir o seguinte caminho para buscarmos uma resposta:
1)     O que é Filosofia?
2)    O que é ser evangélico?

O QUE É FILOSOFIA?
                    Quando decidi cursar filosofia no final dos anos 90, eu carregava uma bagagem de perguntas, que não conseguia responder pelos caminhos que eu andava. Carregava comigo uma bagagem cultural de quem foi criado entre a Assembléia de Deus e a Igreja Batista. Na primeira eu frequentava motivado por um tipo de culto que me fascinava e que é denominado de pentecostal. Na minha infância o louvor da Assembleia de Deus era aquele louvor em que a igreja acompanhava ao som de palmas. Mas havia algo de rebelde em mim, e as perguntas que eu fazia de certa forma incomodava os professores. Na Igreja Batista eu encontrei um ensino que por um tempo me deixou satisfeito, mas ainda assim eu revolvia-me em pensamentos sobre as questões principais da vida.
Muito embora cada pessoa trás perguntas essenciais que são diferentes. Eu queria saber principalmente sobre qual o destino do homem? O que me fazia pensar? E se de fato Deus existia.
Pode parecer meio ateísmo, mas estas questões, quando não respondidas de forma correta e clara, faz o homem se perder. O resultado disto é que eu fui flertar com as Ordens esotéricas. Até decidir pela Filosofia. Depois da Filosofia eu entrei na Maçonaria.
          E como não respondemos o que é Filosofia, vamos fazê-lo, baseado no que entendemos ser a Filosofia e no que alguns pensadores  disseram ser a Filosofia.
          A Filosofia é o ramo do saber que se preocupa com o Conhecimento. Suas subdivisões incluem a Epistemologia, a Gnosiologia, a Lógica,  a Teoria do Conhecimento e uma série de outras matérias, que enumerá-las é uma tarefa gigante. Para se ter uma ideia até da Arte a Filosofia se ocupa. Portanto delimitar o ramo de estudo da Filosofia não é fácil. Ainda temos o uso cultural e equivocado que fazem do vocábulo e por consequência da Filosofia no mundo atual: Por exemplo, se determinado treinador de futebol tem um estilo marcante dizem que ele adota tal ou tal filosofia. E por aí segue as “filosofias de vida”. É inegável que a Filosofia enquanto sistema de construção do conhecimento e do arcabouço teórico do movimento cultural da humanidade é muito importante.
          Infelizmente o que vemos é a deificação de determinados escritores, aos quais determinados “filósofos” se agarram e tentam perpetuar a linha de pensamento. É sobremaneira difícil sair da tutela de pensadores e seguir o exemplo Kantiano do Sapere Aude, (Alfklarung)[2] . Alcançar a maioridade é algo doloroso de se fazer. O que se aplica à Filosofia podemos fazê-lo na Teologia. O que temos hoje é uma repetição de conceitos teológicos que enraizaram-se nos púlpitos. Onde falta muito a pregação Cristocêntrica e sobeja a ideia de Falsas Doutrinas.
          A preguiça intelectual reinante se aplica tanto na Filosofia quanto na Teologia.  Posso concordar com Ortega y Gasset, pelo menos no sentido de que o mundo que me circunda me faz ler desta maneira. Teria a tecnologia nos tornado mais preguiçosos mentais, a ponto de desejarmos mesmo que de forma inconsciente perpetuarmo-nos numa menoridade, e recusarmo-nos a pensar por nós mesmos.
          Neste caso é possível fazer com que Immanuel Kant concorde com o apóstolo Pedro e com os escritos de Hebreus. Em Hebreus o escritor admira-se da falta de crescimento de alguns crentes, o qual ele expressa assim: “Embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da Palavra de Deus. Estão precisando de leite, e não de alimento sólido.” (Hebreus 5: 12-13).
           Kant afirma através de seus escritos que o homem deve alcançar sua maior idade saindo da tutela de outras pessoas. O paradoxo disto é quando nos submetemos à vontade de Deus, estamos saindo da tutela do mundo e nos tornando responsáveis por nosso destino. Ousar usar o nosso próprio entendimento é justamente o que prega o Evangelho. Por mais difícil que possa ser para você leitor entender.
          O Evangelho que escraviza, que pede trízimos e que expropria as ovelhas não é o Evangelho de Cristo. Este Pseudo-evangelho que procura escravizar o homem e mantê-lo preso em sua menoridade, é aquele feito por homens interessados somente na lã das ovelhas. Uma questão essencial que temos a entender é questão do escravo. Assim como o escravo fica a mercê das vontades de seu Senhor, o homem que é escravo do pecado, fica a mercê de seu dono que é o príncipe do mundo.  Antevendo argumentos no sentido de que o crente perde sua liberdade, digo que é justamente o contrário.
          Vejamos o significado da palavra doulos.
ESCRAVO
doulos derivado de deo, “amarrar”, “escravo”, sendo originalmente o termo mais baixo na escala da escravidão, também veio a significar “aquele que se da a vontade de outrem” (por exemplo, 1 Co 7.23; Rm 6.17,20), e se tornou a palavra mais comum e geral para indicar “criado”, como em Mt 8.9, sem qualquer idéia de escravidão. Porem, ao se chamar “escravo de Jesus Cristo” (por exemplo, em Rm 1.1), o apostolo Paulo insinua: (1) que outrora ele tinha sido “escravo” de Satanás; e: (2) que, tendo sido comprado por Cristo, agora ele era escravo voluntario, preso ao Seu novo Senhor. (Vine)

Quando nos atemos ao significado literal da palavra, ela significa servo escravo. Mas, teologicamente e doutrinariamente, sabemos que a compra efetuada por Jesus (de nossa humanidade) no madeiro, foi justamente para não sermos servos dos homens.

Vejamos:

“Foste chamado sendo servo? Não te dê cuidado; e, se ainda podes ser livre, aproveita a ocasião. Porque o que é chamado pelo Senhor, sendo servo, é liberto do Senhor; e da mesma maneira também o que é chamado sendo livre, servo é de Cristo. Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens.” (I Coríntios  7: 22-23)

Ao perguntarmos o que é Filosofia, deparamos com um emaranhado de respostas, que não respondem de imediato a nossa questão sobre a possibilidade de uma Filosofia Cristã. Mas, quando vemos que Filósofo era aquele (Segundo Cícero) que se ocupava com o conhecimento das coisas divinas e humanas e ainda se preocupava com a origem e causas dos fatos, podemos incluir o estudo teológico como sendo um ramo do estudo de filosofia.  O apóstolo Paulo, em seu discurso no Areópago, discutiu filosofia e não teologia.

Se colocarem vários pensadores para dizer o que é Filosofia é provável que não concordem entre si. A filosofia é parte inerente de nossa vida. E não importa qual seja a sua crença particular. A cada segundo de sua existência você filosofa. Quem não filosofa morre.
          Contudo, morrer se dá de várias maneiras. Podemos morrer para a nossa vontade de viver. E, quanto mais sabemos, sabemos que nada sabemos.  O que é Filosofia?

Quantos envelheceram tentando descobrir esta resposta. Acredito na impossibilidade de encontrar uma resposta precisa, certa e absoluta sobre o que é filosofia.   Muitos já disseram que a filosofia é amiga do saber. Amor pelo saber.  A junção do termo grego philia que significa amor fraterno, com Sophia que significa sabedoria. Não espere ser a filosofia um arcabouço de conhecimentos, ela está para além disso. O dever da filosofia é nos conduzir por uma inquietação diante da vida. Leva-nos a posicionar. Conduz a questionar o óbvio. Leva-nos a fugir da unanimidade. Leva-nos a não sermos mais um no senso comum. E olha que não afirmo que o senso comum não possui sabedoria ou não tenha razão. Podemos até aceitar o que o senso comum diz. Mas não sem investigar. Afinal, a filosofia é antes de qualquer conceito, investigativa.
          Para Aristóteles a filosofia é o saber racional, a ciência em seu sentido mais geral. Difere totalmente da religião. Enquanto a filosofia repousa sobre a experiência e a razão, a religião alicerça-se sobre a revelação e a fé. É por isto que aceitamos a o filósofo cristão. E também porque vivemos num Estado democrático de Direito. 
          Não podemos é vulgarizar a palavra filosofia. O método do técnico de futebol em treinar seus comandados não é “filosofia”. Exceto para seus pupilos. Portanto a filosofia das entrevistas futebolísticas não é esta nossa filosofia.
          Mas a filosofia que falamos, aquela que possui as suas raízes na Grécia antiga, possui como centro três eixos fundamentais: Ética, Estética e Lógica. E qualquer homem pode almejar a ter este saber filosófico. O saber não se conquista sem esforço. Não há como aprender sem debruçar sobre uma leitura sadia e de bons livros.  Aristóteles afirmou que o homem por ser um animal racional “tende” ao saber. Portanto, tender ao saber é também desejá-lo e obtê-lo. Não há como filosofar se somos tomados de uma preguiça intelectual.

O QUE  É SER EVANGÉLICO?

Severas discussões ocorrem sobre o termo “Evangélico”, e a reflexão necessária é: O que é ser evangélico? Sabemos que na essência, este termo é muito contestado.  Para o senso comum, evangélico é aquele que não pertence à Igreja Católica, seja a apostólica romana ou outras ramificações, como a ortodoxa oriental.
           Sabemos que a raiz do adjetivo evangélico, vem de uma palavra grega que  implica ou designa a notícia tida como “Boa mensagem” ou “Boa Nova”. Esta notícia é a da ressurreição, com ensinamentos do Cristo.  A mensagem apostólica que é noticiada com o auxílio imprescindível de Deus mediante a Fé, e que na verdade é a Salvação plena em Jesus Cristo (Graça pela Graça) é o evangelho. Reside nesta constatação a premente necessidade de termos pregações exclusivamente cristocêntricas. O adjetivo assume mais do que o significado genérico de cristão segundo a deturpação da inteligência comum. Esta reflexão mais aprofundada nos leva a perceber que a vivência do cristianismo evangélico é centrada no próprio evangelho e não mais na lei. Não somos capazes de enquanto homens vivermos segundo a lei, porque quem tropeça em um item tropeça em todos. O que nos redime é a Graça redentora de Cristo Jesus, propiciada pela sua morte na Cruz. O apóstolo Paulo em sua Carta aos Romanos afirma e ensina que, “ todos pecaram e destituídos estão da Glória de Deus” e continua ensinando que fomos justificados de Graça pela redenção existente em Jesus Cristo.
          O evangélico crê que Cristo Jesus é o único redentor e intermediário entre o homem e Deus.  Lemos no Evangelho de João, o seguinte “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deus o seu filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. A justificação livra tanto da condenação eterna, quanto nos deixa em Paz com Deus. Quando nos perguntamos: O que é ser evangélico? Estamos indo muito além das placas denominacionais. Ser evangélico é mais que ser protestante. Sentimos uma dificuldade enorme de relacionamento inter-denominacionais. Salvos algumas exceções, temos arraiais fechados: Os batistas, os assembleianos, os metodistas, os presbiterianos, os quadrangulares, e segue a relação. A reflexão sobre a vivência evangélica nos leva a concordar com o Pastor Roger Olson, quando afirma:

 “os evangélicos destacam-se de outros cristãos pela ênfase na importância do “relacionamento pessoal com Jesus Cristo” pela experiência de conversão (arrependimento, fé e vida diária no discipulado de Cristo), envolvendo oração, leitura da Bíblia e busca da ajuda de Deus para imitar o salvador”.  

Será esta de fato a visão que o mundo tem dos evangélicos? Com pastores entrando em chiqueiros, cisternas e vendendo amuletos a pretexto de pregação.
          Percebe-se que não nascemos evangélicos, convertemo-nos ao evangelho quando vamos além de aceitar a Cristo. Recentemente, ouvi em duas prédicas (em diferentes denominações) que aceitar a Cristo é fácil. Verdade puríssima, aceitar a Cristo qualquer um pode fazer. O problema está no fato de permitir que Cristo nos faça viver o Evangelho. Isto requer uma vida de oração e consagração. Orar não é tarefa fácil. Quando nos posicionamos de joelhos para orar, batalhas são travadas no âmbito espiritual, e no físico também. Assistimos confortavelmente a um filme de três horas, e não conseguimos orar por cinco minutos. Lembramos que um guerreiro pode ser formado, assim como um evangélico pode ser forjado, na forja do Espírito Santo de Deus.   Custa-nos reconhecer que o poder que o pecado exercia sobre a nossa foi destituído na Cruz. Há um ditado popular que diz que “Deus não escolhe os capacitados, mas, capacita os escolhidos”.   Concordamos em parte com esta afirmação. A oração e a consagração, a busca por uma vida santificada, nos coloca próximo aos olhos de Deus. Então neste sentido, Deus escolhe os capacitados. Neste contexto de lutas espirituais é que se afirma que é possível aceitar a Cristo e não viver como Cristo. Viver como Cristo é ser dependente do Espírito Santo de Deus, pela Graça do Espírito percebemos que a Graça já não permite que vivamos no pecado, pelo contrário, somos livrados do poder do pecado.
          Quando dizemos que nos convertemos ao evangelho, passamos pela aceitação a Cristo, seguida de uma vida de comunhão e santificação. Trocamos de família. Saímos da paternidade adâmica, com sua herança ruim, para a paternidade de Cristo. Isto  só é possível mediante a adoção. Enquanto éramos filhos de Adão, tínhamos como herança: ruína, pecado, morte, separação de Deus, desobediência, punição e lei. Agora, como herdeiros de Cristo: Salvação, Justiça, Vida eterna, relacionamento com Deus, obediência, libertação, Graça.
          O que é ser evangélico? A reflexão nos faz avançar além do modismo. Atualmente a moda é ser “gospel” (palavra inglesa correspondente a evangélico). Gospel isto... gospel aquilo...gospel aquilo outro. Vivemos, comemos, respiramos, vestimos a “gospelidade” latente e midiática. Reproduzem-se nos púlpitos os jargões teológicos que arrancam (através do emocionalismo) expressões desprovidas de autêntica razão cristã. No meio musical a “nossa vitória tem sabor de mel”, mas nos esquecemos com facilidade que a vingança pertence ao Senhor.  Percebe-se nos programas de televisão direcionados aos “evangélicos” um “fast-food” teológico. O resultado são ovelhas obesas de uma pseudo-teologia e caquéticas do autêntico evangelho. Nossas ovelhas estão com aparência saudável mas estão morrendo de caquexia cristã.  A caquexia bíblica deriva da ausência de Escolas Bíblicas Dominicais sérias Cultos de Ensino. A proliferação de cultos destinados à prosperidade com mega eventos e verdadeiros shows, tem contaminado o povo evangélico e o transformado em povo gospel. O Evangelho verdadeiro é biblicista, conversionista, e tem em Jesus a figura central da vivência. É muito difundida a frase “Eu sou a Universal”, numa demonstração de que a denominação assumiu a primazia em relação ao Evangelho.  Como levar adiante a pregação de João 3.16? A vida atual é miserável, cheia de dificuldade. E alie-se a isto a expropriação ou apropriação indébita de pastores saudáveis que escolhem levar uma vida nababesca às custas de suas ovelhas.  A corrida atrás das bênçãos leva á facilidade de entrada no estelionato denominacional. Por isto é fácil enriquecer vendendo para as ovelhas caquéticas do evangelho autêntico, a “terra abençoada de Israel”, “ a fronha de Paulo”, “O cimento milagroso de Jericó”, e o “xixi do anjo Gabriel”.  O estelionato evangélico permite até “trocar de anjo”. O que dizer então dos cultos de cura e libertação que acontece somente em determinados dias da semana.
O que existe de Boas Novas no mercado gospel? A piscina do bispo que foi construída com a venda do lenço suado acrescentou uma ilusão na vida da ovelha perdida que atendeu à voz do falso pastor.  É possível a existência de um evangelho sem cruz? A resposta pode ser sim ou não. Dependerá de qual conceito aceitarmos ou como conceituamos a cruz. Ao dizermos que ser cristão evangélico é passarmos por uma série de lutas contra o pecado, por uma série de dificuldades e dissabores nesta vida, como obrigação por sermos cristãos, estamos contrariando a teologia da prosperidade. Mas estamos errados. A prosperidade não é pecado. O equívoco está em procurar uma prosperidade ás custas do altar. Deus não pode ser colocado contra a perede, sem nós Ele continua sendo Deus. E o contrário? O “evangélico” que compra a “ fronha de Paulo” para ter uma noite repousante, ou beija os pés da bispa, está compactuando com doutrina anti-bíblica. Quando perceber que o “óleo abençoado pelos 320 pastores” não passa de um engodo financeiro, jogará a culpa no cristianismo. Quando, ao contrário, se coloca na e sob a proteção do verdadeiro pastor que é Cristo, não haverá necessidade destes amuletos de idolatria. Colocar a prosperidade financeira diante e em primazia com relação à salvação, é não se dar conta do que João escreveu:

“ Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.”

          A essência do evangélico verdadeiro é que ele passou da morte para a vida. Embora precise passar por esta vida física, não pode permitir ser expropriado pela ganância dos falsos pastores que abusam da falta de conhecimento de suas ovelhas. Mantenham o rebanho ignorante e enriqueçam às suas custas, pensam alguns.  Boa notícia tem a ver com Nova Vida. “Assim que se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” Após a genuína conversão, passamos a ter experiência da ação de Deus em nossas vidas cotidianas, podemos dizer, somos evangélicos.

Abbagnano Nicola Dicionário de Filosofia [Livro] / trad. Bosi Alfredo. - São Paulo : Martins Fontes, 2000. - 4ª edição : Vol. Único : p. 1014.
Huisman Denis Dicionário de Obras Filósoficas [Livro]. - São Paulo : Martins Fontes, 2000.
Lalande André Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia [Livro]. - São Paulo : Martins Fontes, 1999. - 3ª ed : p. 1336.
Vine W.E., Unger Merryl F. e JR. William White Dicionário Vine [Livro]. - [s.l.] : CPAD.
















[1] Graduado em Filosofia pela UFSJ.
[2]    1784 – opúsculo de Kant: "Uma resposta à questão: o que é o Iluminismo?", onde se encontra essa famosa definição:"Esclarecimento [Aufklärung] é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Sapere aude! [Ouse saber!] Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento [Aufklärung]" (KANT)  Disponível em: http://mudernidades.blogspot.com.br/2010/11/kant-aufklarung-esclarecimento.html acesso em 14/07/2014


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